Acontece, por vezes na vida, se soubermos olhar para ela com muita atenção, que pedras cinzentas se tornem pepitas de ouro e que sapos verdes se transformem em príncipes ou princesas.
Quando a Valéria veio ao mundo, ficámos todos muito inquietos e com medo por causa dela. O seu nascimento não foi nada fácil.
Conseguirá ela viver? Perguntava toda a gente, mas ninguém podia dar uma certeza. Felizmente, alguns dias depois, tudo se resolveu... Tudo ? é uma maneira de dizer !...porque os seus olhos permaneciam praticamente cegos. Mal começou a respirar, já eu me sentia muito chegada a ela. Nasci numa família muito pobre e, como eu sabia o que era lutar desde muito pequenina, queria que ela tivesse uma vida diferente da minha, uma vida cheia de beleza.
Os médicos não conseguiam fazer nada e só sabiam receitar-lhe óculos. Assim tão pequenina e já trazia, em cima do nariz, umas lentes enormes, como se fossem fundos de garrafa.
Quanto mais crescia, mais se sentia infeliz.
Mas, quando foi para a escola, as coisas ficaram pior. Toda a gente se ria dela e os seus companheiros diziam que se parecia com uma cobra de olhos grandes ou com uma rã.
Certo dia, alguns pegaram num giz e escreveram, em letras grandes, nas paredes da escola : "Valéria=olhos de sapo."







